Bota pra tocar

quarta-feira, abril 30, 2008

tudo é possível
tudo é possivel

Ferreira Gullar

Nada vos oferto
além destas mortes
de que me alimento

Caminhos não há
Mas os pés na grama
os inventarão

Aqui se inicia
uma viagem clara
para a encantação

Fonte, flor em fogo,
que é que nos espera
por detrás da noite?

Nada vos sovino:
com a minha incerteza
vos ilumino


GULLAR, Ferreira. “Sete poemas portugueses” Nº4. In: Toda poesia. 1950-1980. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980. P.18.
Site do Ferreira Gullar


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Vira e mexe reverbera em mim esse poema... toda vez que bate aquela sensação de "caminhos não há". Me faz abrir um sorriso e continuar inventando caminhos no Aqui.

domingo, abril 27, 2008

Tão sábio o que o Edson, comentou sobre a confusão de idéias no título da canção "O medo de amar é o medo de ser Livre"! Tanto que acabei trazendo nossa conversa pra cá, pra compartilhar, e ter mais espaço pra escrever.
Concordo com ele, "só quem é livre pode amar de verdade", mas também só pode ser livre e viver o prazer de sê-lo quem ama. A si mesmo, ao outro, à humanidade, ao universo, à vida e seus ciclos.
Estava tentando imaginar alguém realmente livre sem amor, e acabei pensando em psicopatas! :P Mas psicopatas são escravos de suas obsessões...
Ser livre e escolher amar...
Acabei (já principiando) em Walt Whitman, Isadora Duncan, Anais Nin, Henry Miller, Sartre, Simone de Beauvoir, Osho, Lao Tse. Livres. Amorosos. Profundamente amorosos na sua escolha da liberdade. Profundamente comprometidos.
Confundir liberdade e descompromisso é uma outra coisa muito comum, que só conforme se amadurece na construção da liberdade, vai se esclarecendo. Tenho visto muita gente se perdendo de si (como dizia meu querido Luiz) por não ter coragem de se comprometer, nem mesmo consigo.
Compromisso é uma palavra muito saturada de conceitos negativos hoje em dia. Os dicionários não dão muitas opções encantadoras (pelo menos não os que eu já consultei!). Parece que a gente tá falando de padres, véus, grinaldas, gravatas, máfia, dívidas. E não de vínculos de nutrição e acolhimento, continuidade, confiança, cumplicidade, ressonância. Mas volto a esse assunto num outro momento.

Lembrei que naquele tempo era costume usar como título das canções a primeira frase delas:
"O medo de amar é o medo de ser
Livre para o que der e vier
Livre para sempre estar
onde o justo estiver"
Talvez se tivesse ficado apenas "O medo de amar é o medo de ser", ficasse mais claro que oposto ao amor não é o ódio, a raiva, ou a maldade, mas o medo*! O medo que enregela e paralisa, descompassa a freqüência do tambor do coração. E a pulsação fica fraca, não entra em ressonância com facilidade. Precisa de cuidado e carinho pra entrar em ressonância com outros tambores. Tambores que curam tambores. Coisas de pajelanças.

Ainda bem que estamos sempre em construção!
(preciso dormir)

Beijo,

Anabel


*Percebi isso com o Gabriel, que me ajudou a retomar o caminho dos meus pés, e a sentir o universo de uma perspectiva tântrica.

sábado, abril 26, 2008

O Medo de Amar é o Medo de Ser Livre

Beto Guedes & Fernando Brant

O medo de amar é o medo de ser

Livre para o que der e vier

Livre para sempre estar
onde o justo estiver

O medo de amar é o medo de ter

De a todo momento escolher

Com acerto e precisão
a melhor direção
O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar
Prá ficar
O medo de amar é não arriscar

Esperando que façam por nós

O que é nosso dever: recusar o poder

O sol levantou mais cedo e cegou

O medo nos olhos de quem foi ver
Tanta luz

http://cifraclub.terra.com.br/cifras/beto-guedes/o-medo-de-amar-o-medo-de-ser-livre-gkj.html
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Esses mineiros... agora dei de ouvir aquelas velhas eternas músicas de outro jeito. Por exemplo:
O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder
Hoje escuto/leio/sinto isso de um ponto de vista muito mais pessoal, não mais como um libelo de resistência política apenas. Agora entendo recusar o poder como um exercício de consciência e recusa do poder que a gente exerce através do orgulho, da rigidez, da frieza (às vezes travestida de um jeito blazé, tá tudo bem comigo, vc que tá encanado) esperando que o outro ceda, adivinhe, venha, prove que somos importantes, amados, queridos, que estamos certos, "e se não vier que se dane, eu sou assim". É mais fácil ficar em segurança na própria fortaleza, que arriscar se expor desarmado, frágil, querendo o outro. É mais fácil se anestesiar com internet, fumaças, álcool, tv, e fingir que nada está acontecendo, não é comigo. Medo de arriscar, de aventurar-se no desconhecido, e se perder no outro por não controlá-lo, e não ter mais contrôle ao se expor assim tão sem defesa. Medo de ter de a todo momento escolher com acerto e precisão a melhor direção. Medo de ser surpreendido, de ser surpreendente, de se surpreender consigo mesmo. Medo de não ter nome pro que sente.
Quando se trata de um relacionamento a dois, esse exercício deveria ser recíproco, não é? Em geral, um só faz esse movimento quase todas as vezes, até não sobrar mais energia pra chamar o outro atrás do muro da casa fechada que é só dele.

Aí levanta mais cedo o sol, querendo entrar pra ficar na casa fechada, que é nossa, e cegar o medo de quem for ver tanta luz. Que será que isso quer dizer? O que você sente quando ouve isso? ;)

Anabel
"É bom adotar a prática diária de meditar sobre a repetição do ato de desenredar a natureza da vida-morte-vida. O pescador entoa uma canção de um único verso, que repete para ajudar na tarefa de desembaraçar a linha. Trata-se de uma canção para propriciar a percepção, para auxiliar na soltura da natureza da Mulher-esqueleto. Não sabemos o que ele está cantando. Só podemos tentar adivinhar. Quando estivermos soltando essa natureza, seria bom que cantássemos algo mais ou menos assim: Ao que eu preciso dar mais morte hoje, para gerar mais vida? O que eu sei que precisa morrer mas hesito em permitir que isso ocorra? O que precisa morrer em mim para que eu possa amar? Qual é a não-beleza que eu temo? Que utilidade pode ter para mim hoje o poder do não-belo? O que deveria morrer hoje? O que deveria viver? Qual vida tenho medo de dar à luz? Se não for agora, quando?"


in Mulheres que correm com os lobos
, Clarissa Pinkola Estés, p.190


quinta-feira, abril 24, 2008

Dicotomia

Tem dias em que a dúvida é cruel: satisfazer o desejo do corpo, ou persistir na busca do que minha alma sussurra e meu coração confirma ser necessário - uma mudança?
Satisfazer o desejo do corpo com o coração entreaberto, não será de fato uma satisfação. Ao contrário, o desejo cresce, porque não atinge a profundidade do que o corpo pede, já que o corpo não é só matéria, mas todos os fluidos e freqüências emocionais. Fica na superfície. Gera ainda mais insatisfação.
Persistir na busca da mudança também gera rigidez. A mudança só vem quando se está com o espaço aberto pra que ela ocorra. Então não adianta fazer força pra virar o timão de vez. Tenho que dar o tempo da maturação se realizar pra mudar. Dar o tempo do redemoinho acalmar, ou me expulsar. No fim, trata-se de mais um desejo.
Quanta ilusão! Parece até que a divisão existe!
Ah... Só com muita meditação!!!
E o corpo continua gritando.

Anabel

segunda-feira, abril 21, 2008

Rodopiando com Nasrudin


Doente, graças a Deus
Nasrudin, sentado na sala de espera do consultório médico, repetia em voz alta: "Espero que eu esteja muito doente", o que intrigava os outros pacientes. Quando o médico apareceu, Nasrudin repetia quase gritando: "Espero que eu esteja muito doente".
"Por que você diz isso?", perguntou-lhe o médico.
"Detestaria pensar que alguém que se sinta tão mal como eu não tenha nada."


Qual deveria ser a aparência de um pássaro?
Nasrudin encontrou um falcão exausto pousado no parapeito da janela.
Nunca antes havia visto um pássaro como aquele.
"Pobrezinho", disse, "como é que você foi acabar desse jeito?"
Aparou-lhe as garras, cortou-lhe o bico para que ficasse reto e desbastou-lhe a plumagem.
"Agora você se parece mais com um pássaro", disse Nasrudin.


in Khawajah Nasr Al-Din - Histórias de Nasrudin / Mullá Nasrudin; tradução de Mônica Udler Cromberg, Henrique Cukierman, RJ, Dervish, 1994


Nasrudin sempre instiga e ajuda a espiralar o pensamento! E me faz rir de mim mesma (e de todos nós!). Divirta-se com suas histórias.
Anabel

sábado, abril 19, 2008

Amar se Aprende Amando


O Mundo é Grande

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

(Carlos Drummond de Andrade in “Amar se Aprende Amando”)

Imagem: "Mulher à janela" por Salvador Dali



Esse aprendizado tão longo, do qual não se tira diploma, e sempre vem cheio de desafios, aventuras, desilusões, decisões. Amar num tempo de corações partidos...
É preciso ter coragem pra reconhecer as próprias feridas, acolher nosso "não-belo", nossa sombra, e permitir a morte daquilo que não nutre mais em nós, para dar espaço a novas possibilidades de ser. Assim também podemos acolher o outro com sua sombra, e atravessar muitas mortes e nascimentos juntos, sem a ilusão de que o amor só existe quando está todo mundo sorrindo como num comercial de banco (ou de margarina, como dizia a conselheira Francis). É preciso abrir nossa casa para que o outro entre. E é preciso ter a coragem também de entrar na casa do outro sem medo de nos perder, ou de perder nosso espaço, quando somos gentilmente convidados, e desejamos compartilhar uns tantos momentos de intimidade, cumplicidade, tornar-nos parceiros na vida, parceiros da vida.
Uma vez eu tive a experiência de ser mandada embora, indiretamente, o que foi terrível para o meu orgulho, mas depois compreendi as contradições daquela circunstância, e até pude visitar a casa com freqüência, mas admito que foi uma ferida cuja cicatriz ainda coça de vez em quando. Não é fácil acollher a sombra do orgulho ferido. Lambi e tratei a ferida, ela secou. Não vou fingir que não há nada lá, e ficar sorrindo e dizendo -está tudo óóóótimo! - num cinismo travestido de otimismo, só pra fazer tipo bacana. Mas, sim, já passou. Já passou. Ao final, foi um grande aprendizado sobre humildade e amor, e já perdi tantos aprendizados por orgulho! Falo desse orgulho que nos impede de olhar com outros olhos, os olhos do outro e sentir com o outro, desse que nos faz fincar o pé e não arredar da nossa convicção oca, diferente do orgulho daquilo que nos honra como seres humanos. Soberba. Vaidade. (De repente lembro do deleite do satan Al Pacino em "Advogado do Diabo" dizendo "A vaidade é meu pecado favorito"...) Rigidez. Então foi muito rico aquele momento tão sombrio, porque cresci com aquela dor. E ainda tenho muita vaidade pra trabalhar certamente. Mas não suporto perceber que alguém se envergonha de mim. Isso é demais. Aí, sigo o exemplo do Leão da Montanha.
Amar se aprende amando, como diz o poeta, e começa amando a nós mesmos, claro, senão de onde?

Anabel

segunda-feira, abril 14, 2008

Sobre escolhas e decisões...

14/04/2008 - 08h28

Experimento consegue "prever" decisão cerebral


da Folha de S.Paulo

As decisões atribuídas ao livre arbítrio humano podem ser formadas inconscientemente vários segundos antes de o cérebro tomar consciência delas. Essa é a conclusão defendida por um estudo publicado no domingo (13) pela revista "Nature Neuroscience". O trabalho se baseou em um experimento no qual voluntários tiveram seus cérebros monitorados por ressonância magnética.

No teste, elaborado por cientistas do Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências Cerebrais, de Leipzig (Alemanha), pessoas tinham de decidir livremente por apertar um de dois botões em um controle. Ao mesmo tempo ficavam olhando uma seqüência de letras projetada numa tela, que não deveria influir na decisão. Os voluntários tinham apenas de dizer que letra estavam observando quando finalmente decidiam qual botão apertar.

Comparando o momento em que as pessoas se diziam conscientes de suas decisões com padrões de atividade cerebral registrados no aparelho de ressonância magnética, os cientistas tiraram sua conclusão.

"Descobrimos que o resultado de uma decisão pode ser codificado como atividade cerebral nos córtices pré-frontal e parietal [regiões na superfície do cérebro] até dez segundos antes de entrarem na consciência", escrevem os autores do estudo, liderado por John-Dylan Haynes.

"A impressão de que podemos escolher livremente entre duas possíveis linhas de ação é essencial para nossa vida mental. Contudo, é possível que essa experiência subjetiva de liberdade não seja mais do que uma ilusão e nossas ações sejam iniciadas por processos mentais inconscientes bem antes de tomarmos consciência de nossa intenção de agir."


in http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u391815.shtml

quarta-feira, abril 09, 2008

O peso de um desamparo que não era meu saiu. Foi numa constelação familiar:
Eu, prostrada em profunda gratidão, era minha mãe reverenciando minha avó, a Bugra, que morreu quando minha mãe tinha seis anos de idade, num dia 10 de abril. Como uma menina, compreendi que cada pessoa tem seu tempo, e deixar morrer é tão importante quanto viver. E a vida continuou.
Então tive o vislumbre de uma sucessão infinita de gerações de mulheres atrás de minha avó, cantando, cuidando, preparando o alimento, ao lado de fogueiras, sentadas no chão, na terra. Antes de minha avó todas as minhas avós, todas as minhas mães de mães.
Depois reverenciei minha mãe, e contei à minha avó que dera o nome de Vozes Bugras ao grupo (que foi uma idéia compartilhada com Nun e Luiz, descendentes como eu) em homenagem a ela, que carregava esse apelido. Ela sorriu com lágrimas nos olhos, e todas se ergueram, pousando a mão nas costas de sua descendente. Cada uma dando sua bênção, desde a mais remota ancestral até mim, e eu à minha filha.

Sou muito grata por esta vida que delas provém, e me orgulha muito herdar, a cada dia que aprendo a cuidar. Agora compreendo melhor minha mãe e seu sentimento de desamparo. Agora compreendo melhor a mim mesma, e as dimensões que ser Eu mesma abrange. Compreendo melhor a dádiva da intuição, que talvez minha mãe não tenha podido reconhecer por conta das circunstâncias, como bênção de mulher para mulher. A bênção de confiar em nossa voz interior, e apreender num instante o que levaria muito tempo para explicar racionalmente.

Anabel
Foto "Índia Bororo, Mato Grosso" de Heinz Foerthmann, 1943. (www.museudoindio.org.br)

terça-feira, abril 08, 2008

OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS

Por Rabino Nilton Bonder


Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação.


Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo. A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.


Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.


Hoje, o tempo de 'pausa' é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações 'para não nos ocuparmos'. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão.


O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo..


Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.


Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente. As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado...


Nossos namorados querem 'ficar', trocando o 'ser' pelo 'estar'. Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos?


Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos...


Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção.


O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair - literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida. A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é 'o que vamos fazer hoje?' - já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.


Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande 'radical livre' que envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.


Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.


Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada seja dá-lo como concluído.

Imagem: Are you jealous? by Paul Gauguin

sábado, abril 05, 2008


Às vezes é tão evidente que certos caminhos não dão em lugar nenhum, e mesmo assim eu continuo fingindo pra mim mesma que basta deixar rolar, as coisas são o que são, são como são, e que tais... Minto pra mim, tô jogando meu tempo fora, tô brincando de "tá tudo bem", tô tentando ser boazinha, legalzinha, bacaninha, bonitinha. Que bobagem, vestir lobos com pele de carneiro, bruxas com vestido de princesa! Melhor ler meu livro e dormir.