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segunda-feira, março 26, 2012

"Para Maria da Graça" de Paulo Mendes Campos

Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?"
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira. 

A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada ou vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes consequências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon" Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gato se fosses eu?"
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! mas quem ganhou?" é bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste.
Disse o ratinho: "A minha história é longa e triste!" Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance só é o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energeticamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!" Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.
Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo" Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
E escuta a parábola perfeita: Alice tinha diminuido tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. é isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom-humor`.
Toda a pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.
Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas".
Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: é feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.

quarta-feira, março 07, 2012

24 toques para ser feliz

Do Roberto Shinyashiki para quem esteja aberto e disposto:






24 toques para ser mais feliz. 

Céu de carnaval em São João Novo

01 - Seja ético. 

A vitória que vale a pena é a que aumenta sua dignidade e reafirma valores profundos. Pisar nos outros para subir desperta o desejo de vingança. 

02 - Estude sempre e muito. 

A glória pertence àqueles que têm um trabalho especial para oferecer. 

03 - Acredite sempre no amor. 

Não fomos feitos para a solidão. Se você está sofrendo por amor, está com a pessoa errada ou amando de uma forma ruim para você. Caso tenha se separado,curta a dor, mas se abra para outro amor. 

04 - Seja grato(a) a quem participa de suas conquistas. 

O verdadeiro campeão sabe que as vitórias são alimentadas pelo trabalho em equipe. Agradecer é a melhor maneira de deixar os outros motivados. 

05 - Eleve suas expectativas. 

Pessoas com sonhos grandes obtêm energia para crescer. Os perdedores dizem: "isso não é para nós". Os vencedores pensam em como realizar seu objetivo.

06 - Curta muito a sua companhia. 

Casamento dá certo para quem não é dependente. 

07 - Tenha metas claras. 

A História da Humanidade é cheia de vidas desperdiçadas: amores que não geram relações enriquecedoras, talentos que não levam carreiras o sucesso, etc. Ter objetivos evita desperdícios de tempo, energia e dinheiro. 

08 - Cuide bem do seu corpo. 

Alimentação, sono e exercício são fundamentais para uma vida saudável. Seu corpo é seu templo. Gostar da gente deixa as portas abertas para os outros gostarem também. 

09 - Declare o seu amor. 

Cada vez mais devemos exercer o nosso direito de buscar o que queremos (sobretudo no amor). Mas atenção: elegância e bom senso são fundamentais. 

10 - Amplie os seus relacionamentos profissionais. 

Os amigos são a melhor referência em crises e a melhor fonte de oportunidades na expansão. Ter bons contatos é essencial em momentos decisivos. 

11 - Seja simples. 

Retire da sua vida tudo o que lhe dá trabalho e preocupação desnecessários.

12 - Não imite o modelo masculino do sucesso. 

Os homens fizeram sucesso a custa de solidão e da restrição aos sentimentos. O preço tem sido alto: infartos e suicídios. Sem dúvida, temos mais a aprender com as mulheres do que elas conosco. Preserve a sensibilidade feminina - é mais natural e mais criativa. 

13 - Tenha um orientador. 

Viver sem é decidir na neblina, sabendo que o resultado só será conhecido, quando pouco resta a fazer. Procure alguém de confiança, de preferência mais experiente e mais bem sucedido, para lhe orientar nas decisões, caso precise.

14 - Jogue fora o vício da preocupação. 

Viver tenso e estressado está virando moda. Parece que ser competente e estar de bem com a vida são coisas incompatíveis. Bobagem ... Defina suas metas, conquiste-as e deixe as neuras para quem gosta delas. 

15 - O amor é um jogo cooperativo. 

Se vocês estão juntos é para jogar no mesmo time. 

16 - Tenha amigos vencedores. 

Aproxime-se de pessoas com alegria de viver. 

17 - Diga adeus a quem não o(a) merece. 

Alimentar relacionamentos, que só trazem sofrimento é masoquismo, é atrapalhar sua vida. Não gaste vela com mau defunto. Se você estiver com um marido/mulher que não esteja compartilhando, empreste, venda, alugue, doe... e deixe o espaço livre para um novo amor. 

18 - Resolva! 

A mulher/homem do milênio vai limpar de sua vida as situações e os problemas desnecessários. 

19 - Aceite o ritmo do amor. 

Assim como ninguém vai empolgadíssimo todos os dias para o trabalho, ninguém está sempre no auge da paixão. Cobrar de si e do outro viver nas nuvens é o começo de muita frustração. 

20 - Celebre as vitórias. 

Compartilhe o sucesso, mesmo as pequenas conquistas, com pessoas queridas. Grite, chore, encha-se de energia para os desafios seguintes. 

21 - Perdoe! 

Se você quer continuar com uma pessoa, enterre o passado para viver feliz. Todo mundo erra, a gente também. 

22 - Arrisque! 

O amor não é para covardes. Quem fica a noite em casa sozinho, só terá que decidir que pizza pedir. E o único risco será o de engordar. 

23 - Tenha uma vida espiritual. 

Conversar com Deus é o máximo, especialmente para agradecer. Reze antes de dormir. Faz bem ao sono e a alma. Oração e meditação são fontes de inspiração.

24 - Muita Paz, Harmonia e Amor... sempre!



colei de http://pensador.uol.com.br/autor/roberto_shinyashiki/

quinta-feira, dezembro 17, 2009

O risco de viver um grande amor até o fim, é ter que lidar com o fim do grande amor. Separar-se no ápice, como propõe um querido poeta, pode ser uma solução para algumas pessoas, mas como se reconhece esse ápice? Tantos ápices tem o amor, quando se percebe a beleza e o desafio de compartilhar um sentimento profundo que não quer encontrar um ponto final, nem perder-se em reticências por prevenção ou medo de ter chegado a ele. Até mesmo o fim pode ser uma experiência de amor profundo, amor que se importa em dizer, amor, tenho que partir, sinto falta de navegar, sou-te grata por tudo que contigo aprendi, e te considero tão profundamente, que mesmo doendo quero ser-te leal como amiga.
E há amor maior e mais generoso que o de amigo?
Mas são raros os que transmutam amor em amizade, e chegam ao fim com transparência e gratidão. Em geral o que se vê é "eu não te devo nada". Ninguém deve nada a ninguém. Gratidão e consideração são interpretadas como dever satisfações quando não há liberdade interior, coragem para sustentar a decisão de partir, e encarar a possível dor que essa decisão pode causar. Porém a dor da verdade sara mais depressa, que a dor do artifício, da traição e da indiferença.
Por outro lado, como diria uma velha amiga meio amarga, quem se importa se alguém vai ou fica? Quem se importa se alguém sente isso ou aquilo? No fim das contas tanto faz. Que drama...
É... provavelmente, no tempo das estrelas, do universo, das galáxias, nada disso tem a menor importância, mas é por isso mesmo que me enche de compaixão a história de cada pessoa que encontro nesta vida. E a minha própria também, claro...

Anabel

segunda-feira, novembro 30, 2009

A explicação eu já tenho... rsrsrs

Há ocasiões em que apenas sustentados pela energia da raiva podemos nos libertar de um jogo emocional doente, ou encarar uma ruptura. A raiva mobiliza, permite que levantemos do desmoronamento da tristeza, e sigamos em frente, para depois poder liberá-la também, sem endurecer no gelo da indiferença, reprimindo energia no lugar de ressoar com ela.
Só agora entendo verdadeiramente a manipulação do psicopata sedutor de que fala Lowen. É uma teia invisível, cheia de pequenos detalhes que aprisionam na ambiguidade. Quando a masoquista (complementar fundamental dessa relação) começa a afastar-se, ele vem e deixa uma insinuação pairando, como uma promessa, um beijo, uma palavra doce, uma florzinha, um mimo, e quando esta se mostra outra vez disponível, indiretamente, o sedutor vai minando, subestimando, pois tem que estar no controle, a relação não pode ser de iguais que se entregam, ele nunca se rende ao amor, e despreza quem se mostra vulnerável. Amar é como cair, soltar-se, e no âmago, isso o petrifica de medo.
A masoquista também reforça o jogo, como os ratinhos de Skinner, submetendo-se à dor na expectativa da recompensa que lhe alivia e dá um prazer momentâneo, parece amor de verdade por uns instantes, especialmente na relação sexual, mas pode ser qualquer outro aspecto da relação, ela também não se reconhece digna de reciprocidade, e no âmago despreza quem lhe dá valor, e se mostra vulnerável para entregar-se no amor.
Ambos prisioneiros desse jogo intermitente de dor-prazer, não por escolha, mas porque esse mecanismo foi a forma de evitar uma enorme dor lá atrás, na infância, e tornou-se um padrão de comportamento, ativado em determinadas circunstâncias, e mesmo alternando os papéis em certos momentos.
Ok, entendo muito bem agora. Mas acho que vou precisar de uma dose extra de fluoxetina pra sair dessa, além de  não ver, não ouvir, não sentir o cheiro, não entrar em contato de modo algum, como se trata um vício, enfim... e preciso de colaboração.
A minha raiva oscila... às vezes explode, quando considero o quanto fui usada, enganada, quanto me permiti sê-lo, e o quanto entrei no jogo de achar que a louca era eu, me autosabotando em meus verdadeiros sentimentos e minha intuição. Eu me enganei, querendo acreditar nas insinuantes mensagens duplas, que ele talvez encare como uma forma delicada de atenção, pois ele nunca finaliza, nem esclarece, ou assume nada com total honestidade, talvez em cartas, mas nunca no olho no olho. Faz parte de manter o controle, um modo de não permitir o distanciamento necessário. Nem a proximidade aterradora da sinceridade.
Tudo isso é carência. Carência de amor, medo da entrega.
Observe um casal dançando o tango, isso deve tornar mais claro o que digo.

Anabel

Imagem: Neli Neto

sexta-feira, julho 24, 2009

eu falho

Não sei qual o grau de cumplicidade que cada pessoa pode alcançar com um amigo, mas um bom indicador, para mim, é poder contar "aquela cagada", "aquela mancada" que eu dei, reconhecendo e assumindo o erro, e sem medo do julgamento, sabendo que a consciência do erro, a reflexão, e o desabafo já fazem parte do aprendizado pra não repetir o mesmo. É claro que o amigo também reconhece o erro, sabe que não está certo, mas é capaz de compreendê-lo dentro do contexto, acompanhar-me nesse percurso subjetivo de assimilação, apropriação, remissão, enfim... percebe o processo junto, compartilha, e confia no meu entendimento, em vez de me colocar no paredão (que a própria autocrítica já se encarregou de colocar). O que não quer dizer que qualquer psicopatia vá ser acolhida do mesmo modo só pra provar que se é amigo. Há coisas que são crimes inafiançáveis, e que precisam de punição, ou doenças, patologias que necessitam tratamento, e enfim, há cagadas, erros menos graves, e sempre os contextos a considerar.


Dia desses fiz um erro múltiplo. Havia dado para outra criança um sapato da minha filha, já apertado há algum tempo, e quando ela não o encontrou, dias depois, sentiu-se traída por não ter sido consultada para tal doação. Aí é que fiquei em dúvida, pois eu achava que tinha lhe perguntado, porém em um momento em que eu estava muito estressada, fraca, frágil, desorientada comigo mesma, por questões outras, achei que, mesmo morrendo de vergonha, falar com a mãe da garota, expondo-lhe a situação, caso a menina ainda não o estivesse usando, e pudesse emprestá-lo por mais alguns dias, seria compreensível. E foi assim que a mãe da menina sorrindo, foi até o fundo, me trouxe o sapato, e disse que ainda não estava servindo, e que compreendia meu drama. Ufa! Expliquei para minha filha que aquilo que eu estava fazendo,- pedir de volta algo que já era dado -, era falta de educação, completamente errado e feio, e que só o havia feito porque havia dado algo que não era meu, mas dela, sem perguntar. Imagina a montanha de erros! Prato cheio pros juizes das "mães permissivas e inseguras de hoje em dia".


Pois é... Outro dia achei que falava com um amigo, e contei esse meu deslize, talvez pra elaborá-lo melhor. Meu deus! Me condenou à fogueira! Queria até que eu jurasse que nunca mais faria algo assim, e até disse que não poderia mesmo confiar em mim, diante de tal episódio. Episódio que é uma exceção, e tem um contexto, e não um comportamento ou uma atitude que escolho e tomo rotineiramente. Mas qual! Mal se despediu com uns tapinhas nas costas, e foi-se como um completo desconhecido.


E eu fiquei aqui com meus botões me perguntando, por que fui contar uma vulnerabilidade dessas pra uma pessoa tão sem abertura pra se colocar no meu lugar? Parecia que eu havia roubado! E fico me perguntando se todos esses conselheiros sobre educação infantil e outros comportamentos adequados, são capazes dessa alteridade, ou se eles mesmos nunca erram, ou se erram, se perdoam, e aproveitam o aprendizado, que é o que realmente importa, mais do que ficar se martirizando pelas incompetências que fazem parte do papel de mãe e pai. Porque aconselhar sobre o que é certo ou o que não se deve fazer, eu também posso, sou até boa nisso, mas numa situação que nos pegue desprevenidos, ou mesmo num aprendizado prático para o qual não tivemos treinamento suficiente, acho que é natural falhar, faz parte do processo mesmo de tornar-se melhor e errar menos!


Eu poderia contar um monte de situações em que me sai bem com minha filha, em que a fiz compreender limites, adptar-se a situações aprendendo a lidar com frustrações, em que a incentivei a ser generosa, verdadeira, a reconhecer erros, a ser educada, em que pedi desculpas, para que ela perceba que todos erramos, e podemos nos arrepender e melhorar, enfim, tudo o que os bons conselheiros publicam e falam. Mas escolho compartilhar o erro, porque, amigos, fingir que somos perfeitos, ou sair dizendo "não te devo nada", não contribui uma vírgula para o resgate da nossa humanidade. Num mundo de aparências, glamour e sucesso, em que deletamos spams e desconectamos de um papo, sem mais, é muito simples mudar nosso perfil, fazer um fake, ou coisa assim. Mas a vida do corpo, que inclui a virtual, mas que jamais se calará mesmo sob quilos de botox, silicone, eletrodos, plásticas e retoques variados, esta vida guarda a memória de todos os nossos processos, aprendidos ou reprimidos, assumidos ou negados, e esta não é descartável, e não se sustenta na gambiarra.


Resgatar nossa humanidade, passa por errar, reconhecer-nos vulneráveis. Saber usar o poder dos erros é fundamental. E é muito reconfortante saber que há alguém, além de um terapeuta, que nos ouve e se coloca em nosso lugar, se comove conosco, e nos olha nos olhos com a cumplicidade de quem diz "que cagada, amigo", mas confia na nossa capacidade de discernimento e nos sabe maiores que o erro, e nos abraça sem ter nada para dizer num momento de tristeza e dor. Conversar com um amigo é como voltar para casa.


Espero que meus amigos possam sentir-se livres e vulneráveis comigo, para refletir sobre acertos e erros, e para falar bobagens, para que saiamos nutridos do nosso encontro, e não com a sensação de sermos apenas incompetentes, ignorantes e incorrigíveis. E voltemos com nossos corpos vibrantes do encontro, confidentes e confiantes na vida. Pulsando com ela, com um sentimento de pertencer.


Anabel

quinta-feira, maio 07, 2009

Perdoar


Outro dia, conversava com um velho amigo, e ele sugeriu que eu lesse "Mulheres que correm com os lobos". É um livro que me acompanha, e que tomo aleatoriamente em diferentes momentos a fim de ver o que ele vai sintonizar e me auxiliar a compreender melhor. Deixo que ele venha, ou procuro por ele sem muita linearidade, permitindo que se abra onde melhor o Universo possa me trazer um insight. Desta vez, acompanhando um movimento de libertação interna, abri no capítulo 12, "A demarcação do território: Os limites da raiva e do perdão". Que exatidão! Transcrevo o trecho final.

"Perdoar"
Existem muitos meios e proporções com os quais se perdoa uma pessoa, uma comunidade, uma nação por uma ofensa. É importante lembrar que um perdão "final" não é uma capitulação. É uma decisão consciente de deixar de abrigar ressentimento, o que inclui o perdão da ofensa e a desistência da determinação de retaliar. É você quem decide quando perdoar e o ritual a ser usado para assinalar esse evento. É você quem resolve qual é a dívida que você agora afirma não precisar mais ser paga.
Algumas pessoas optam pelo perdão total: liberando a pessoa de qualquer tipo de reparação para sempre. Outras preferem interromper a reparação no meio, abandonando a dívida, alegando que o que está feito está feito e que a compensação já é suficiente. Outro tipo de perdão consiste em isentar a pessoa sem que ela tenha feito qualquer reparação emocional ou de outra natureza.
Para certas pessoas, finalizar o perdão significa considerar o outro com indulgência, e isso é mais fácil quando as ofensas são relativamente leves. Uma das formas mais profundas de perdão está em dar ajuda compassiva ao ofensor por um ou outro meio. Isso não quer dizer que você deva enfiar a cabeça no ninho da cobra, mas, sim, ser sensível a partir de uma postura de compaixão, segurança e preparo.
O perdão é onde vão culminar toda a abstenção, o controle e o esquecimento. Não significa abdicar da própria proteção, mas da própria frieza. Uma forma profunda de perdão consiste em deixar de excluir o outro, o que significa deixar de mantê-lo à distância, de ignorá-lo, de agir com frieza, condescendência e falsidade. É melhor para a psique da alma restringir ao máximo o tempo de exposição às pessoas que são difíceis para você do que agir como um robô insensível.
O perdão é um ato de criação. Você pode escolher entre muitas formas de proceder. Você pode perdoar por enquanto, perdoar até que, perdoar até a próxima vez, perdoar mas não dar outra chance - começa tudo de novo se acontecer outro incidente. Você pode dar só mais uma chance, dar mais algumas chances, dar muitas chances, dar chances só se... Você pode perdoar uma ofensa em parte, pela metade ou totalmente. Você pode imaginar um perdão abrangente. Você decide.
Como a mulher sabe que perdoou? Voce passa a sentir tristeza a respeito da circunstância, em vez de raiva. Você passa a sentir pena da pessoa em vez de irritação. Você passa a não se lembrar de mais nada a dizer a respeito daquilo tudo. Você compreende o sofrimento que provocou a ofensa. Você prefere se manter fora daquele meio. Você não espera por nada. Você não quer nada. Não há no seu tornozelo nenhuma armadilha de laço que se estende desde lá longe até aqui. Você está livre para para ir e vir. Pode ser que tudo não tenha acabado em "viveram felizes para sempre", mas sem a menor dúvida existe de hoje em diante um novo "Era uma vez" à sua espera.

in: Mulheres que correm com os lobos: Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem; Clarissa Pinkola Estés; RJ, Rocco, 1994

quinta-feira, dezembro 11, 2008

A Maçã

"Quando eu te escolhi para morar junto de mim,
Eu quis ser tua alma, ser teu corpo tudo enfim,
Mas compreendi que além de dois existem mais.

Amor só dura em liberdade,

o ciúme é só vaidade
,
sofro, mas eu vou te libertar


O que é que eu quero, se eu te privo

do que eu mais venero

que é a beleza de deitar"



Raul Seixas me dando sábios conselhos na madrugada.

domingo, novembro 23, 2008

Bico do corvo

Percebo a raiva virando crítica, depois desdém, depois atitude defensiva... "você sempre...", você nunca...", "somos muito diferentes."
As diferenças não geram crescimento quando significam pontos finais, quando em vez de parceria tomam significado de competição e rejeição. E se não há admiração, carinho, amizade, vontade de crescer e amadurecer num relacionamento, elas vão servindo apenas como desculpas esfarrapadas para justificar a indisposição de um para com o outro, travestidas de argumentação lógica. E tudo o que se pode ver no outro são defeitos.
Se há filhos, estes ficam contaminados pela qualidade desse clima emocional. Ficam ansiosos, angustiados, agressivos, de algum modo sentem que algo vai muito mal.
Fugir, fingir, ter uma atitude blazè, negar emoções, em vez de reconhecê-las e apropriar-se delas, é mais simples, aparentemente. Colocar uma pedra no assunto... Que tamanho de pedra precisaremos colocar, conforme passe o tempo, sobre uima relação mal resolvida?
Discutir conflitos pede coragem e amor, se não pelo outro, por si mesmo, amor-próprio. É uma escolha. Nem sempre é fácil decidir mergulhar e buscar caminhos para transcender nossas sombras. Tem muita tristeza, raiva, dor, mágoa, medo, guardados no nosso caráter. Mas escolher um pequeno movimento inicial coloca a roda para girar, e a rigidez estática desaba.
A questão é escolher o movimento e deixar a torre do orgulho.

Anabel

sábado, agosto 23, 2008

Partícula Elementar

Às vezes coloco meu ponto de vista sobre um coletivo de que faço parte com tanta veemência, que algumas pessoas podem pensar que estou tentando falar por elas. Posso até falar, se isso é um acordo comum ao grupo, mas na maior parte das vezes é meu ponto de vista que estou tentando expressar sobre um acontecimento que me afeta, e como percebo sua reverberação no coletivo a que pertenço. Pensando que esse coletivo é constituido de indivíduos com os quais tenho uma relação de parceria, que passa pela afetividade inclusive.
É verdade que exercito bastante a alteridade, o colocar-me no lugar do outro, mas nem sempre é possível transcender meu repertório de vida, e compreender de fato o lugar do outro. Ainda assim, acho um exercício importante sair de mim para buscar compreender a atitude alheia. Às vezes porém é preciso limitar-me a cuidar do meu lugar, reconhecer seus contornos, para não me perder demais no lugar que eu penso ser do outro, e ficar sem norte, aprisionada num dilema por um tempo longo demais, desperdiçando uma oportunidade de conhecer algo diferente daquele ponto de vista.
Conflitos e insatisfações são fontes de aprendizado se estamos disponíveis para nos rever, reler, mudar de opinião, reconhecer atitudes rígidas da nossa parte que precisamos flexibilizar, como preconceitos, ou flexíveis demais que precisamos enrijecer, como diletantismo ou falta de compromisso. (Muito sábio Che Guevara em sua frase mais pop, mas será que refletimos o suficiente sobre ela?)
Claro que fatores subjetivos como empatia, estado emocional, traumas, entre outros, interferem e podem até impedir que estejamos abertos para esse tipo, essa dinâmica de aprendizado. Nesse caso, é preciso ter coragem de admitir também quando não estamos prontos para "encarar uma encrenca", e ter humildade suficiente para dizer: desculpe, não estou conseguindo, não sinto que seja um bom momento para conversar sobre isso agora.
Falta de objetividade na expressão oral também pode fazer soar como desimportante algo que, se houver a chance de melhor elaborar, pode gerar insights significativos. Ou pode acontecer de cada um ouvir uma coisa daquilo que foi dito, e ninguém escutar nada além das próprias vozes que carrega dentro de si.
A autonomia não é um estado de perfeição que se atinge na marra, nem nos é outorgada por alguém, é uma construção, uma conquista, antes de mais nada, dos nossos próprios caquinhos servis, tirânicos, medrosos ou rebeldes, em busca da maturidade que nos permita questionar e agir com coerência, mesmo indo contra convenções e leis que, numa situação específica, ou num novo contexto, se tornem apenas dogmas.
Falo disso tudo porque me ocorreu tentar formular uma crítica dentro de um grupo, pensando em contribuir para um relacionamento mais transparente, com simplicidade, que virou uma lavação de roupa para uns, um momento de descarga para outros, um momento de afirmação da autoridade para outros, um medo de serem expostos e perder os postos para outros ainda, uma balbúrdia onde todos falavam só de e para si. Acabei com a sensação de ser mal interpretada, mas penso agora que foi a minha falha na objetividade que desencadeou o desabafo geral, o que foi bom. Transcendendo o nível das mágoas, acho que há muitos pontos de aprendizado que essa crise fez emergir. E acredito que o grupo só tem a crescer com isso, se cada membro dele estiver disposto a baixar a guarda e buscar olhar de um outro lugar o problema, procurando juntos por soluções, ou outras questões importantes que possam vir daí.
Semear perguntas não é só um refrão ao qual se possa aderir inconsequentemente!

sexta-feira, julho 25, 2008

Aquele movimento que te ofereci


Aquele movimento que te ofereci não volta mais, e é eterno recomeçar.
Não me prenda nas tuas referências de costume.
Deixa que eu aconteça como sou, como dança, como afeto, como incompletude e fluência livre.
Olha para meu corpo, e enxerga minha imensidão. Transcende minhas formas, meus contornos com teu olhar. Olha minha luz em lugar de julgar minhas sombras.
Sente meu pulso. Pulsa comigo. Te entrega um pouco.
Deixa eu sonhar nossa fusão, e admirar nossas diferenças.
Que em lugar das acusações e críticas, brotem de nossas bocas sorrisos de velhos amigos, brindando a cumplicidade dos parceiros que sabem ter muita história em comum.
Mas se não há nada em nós que te comova mais, sossega, clareia minha angústia: me deixa.

Anabel

Imagem: Madonna, por Edvard Munch

sexta-feira, julho 18, 2008

Talvez eu devesse ficar quieta

Talvez eu devesse ficar quieta, achar que eu é que faço tempestades em copos d'água, que não há nada demais numa omissão ou outra, pode ser só lapso de memória. Ou pode ser que eu esteja encanando, ou significando uma amarra e nada mais na vida de alguém, enquanto penso que o que nos une são laços. Talvez cada um sinta de uma maneira muito diferente o tecer de uma relação, ou talvez seja tempo de trocar os fios, e usar outros pontos, e criar outras estampas, outros bordados.
Outro dia li um artigo muito interessante na revista "Vida Simples", entitulado "ninguém é perfeito", onde a autora, Elisa Correa, falava desse perfeccionismo do qual ficamos impregnados pela atitude consumista, querendo sempre o melhor produto, o melhor pacote, enfim, o melhor que o mercado tem a oferecer e transferimos isso para nossos relacionamentos, como se estes fossem mais um objeto de consumo, e não uma obra a ser produzida, construida, melhorada. Acabamos descartando as relações que não correspondem ao comercial de margarina, de creme dental, de férias na praia do cartão de crédito, da liberdade do cara só fumando um cigarro, e vamos em busca de outras que possam atender a nossa expectativa moldada à base de clichês. E vamos consumindo sem nos envolver em profundidade nas relações. Quem quer uma relação que significa uma corrente que o impede de ir passar um fim de semana sozinho viajando? Um bicho de estimação, um filho, um marido, uma mulher. Onde não há amor, tesão, carinho, cumplicidade, amizade, só podem haver obrigações, deveres, amarras. Laços são para presentes. E nada de singular se cria... é tudo uma sem-graceira só!
Mas o que é que eu estou querendo?
Descer o Rio Paraguai cantando as canções que não se ouvem mais?

Anabel

sábado, abril 26, 2008

O Medo de Amar é o Medo de Ser Livre

Beto Guedes & Fernando Brant

O medo de amar é o medo de ser

Livre para o que der e vier

Livre para sempre estar
onde o justo estiver

O medo de amar é o medo de ter

De a todo momento escolher

Com acerto e precisão
a melhor direção
O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar
Prá ficar
O medo de amar é não arriscar

Esperando que façam por nós

O que é nosso dever: recusar o poder

O sol levantou mais cedo e cegou

O medo nos olhos de quem foi ver
Tanta luz

http://cifraclub.terra.com.br/cifras/beto-guedes/o-medo-de-amar-o-medo-de-ser-livre-gkj.html
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Esses mineiros... agora dei de ouvir aquelas velhas eternas músicas de outro jeito. Por exemplo:
O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder
Hoje escuto/leio/sinto isso de um ponto de vista muito mais pessoal, não mais como um libelo de resistência política apenas. Agora entendo recusar o poder como um exercício de consciência e recusa do poder que a gente exerce através do orgulho, da rigidez, da frieza (às vezes travestida de um jeito blazé, tá tudo bem comigo, vc que tá encanado) esperando que o outro ceda, adivinhe, venha, prove que somos importantes, amados, queridos, que estamos certos, "e se não vier que se dane, eu sou assim". É mais fácil ficar em segurança na própria fortaleza, que arriscar se expor desarmado, frágil, querendo o outro. É mais fácil se anestesiar com internet, fumaças, álcool, tv, e fingir que nada está acontecendo, não é comigo. Medo de arriscar, de aventurar-se no desconhecido, e se perder no outro por não controlá-lo, e não ter mais contrôle ao se expor assim tão sem defesa. Medo de ter de a todo momento escolher com acerto e precisão a melhor direção. Medo de ser surpreendido, de ser surpreendente, de se surpreender consigo mesmo. Medo de não ter nome pro que sente.
Quando se trata de um relacionamento a dois, esse exercício deveria ser recíproco, não é? Em geral, um só faz esse movimento quase todas as vezes, até não sobrar mais energia pra chamar o outro atrás do muro da casa fechada que é só dele.

Aí levanta mais cedo o sol, querendo entrar pra ficar na casa fechada, que é nossa, e cegar o medo de quem for ver tanta luz. Que será que isso quer dizer? O que você sente quando ouve isso? ;)

Anabel

segunda-feira, maio 07, 2007

Cadê minha escala Richter?

Certas sombras assustam mais... às vezes uma palavra ouvida num momento de cansaço tem um impacto de terremoto! Principalmente se versa sobre um tema dolorido de longa data, que subitamente ganha reforço e atualização, como conflito pendente que é, trazendo a reboque um monte de pequeninos machucados mal cicatrizados...

"Por favor, deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa, e qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d'água", Chico Buarque sempre expressa com precisão e lirismo os movimentos tectônicos da alma. Eu, se pudesse, resolvia, ou ao menos sinalizava aquele momento que precede o pico do tremor, com uma canção... mas não dá tempo, os radares não revelam o abalo sísmico a tempo, ainda há procedimentos muito rudimentares no corpo emocional.

Conversar, com a guarda baixa, sincera e sensivelmente, com a confiança na superação, não só aparente para sair com a vitória ou a derrota, tem relação direta com a profundidade do vínculo, com o quanto este é precioso. E com a maturidade, que não é sinonimo de aridez e racionalização, mas de compreensão verdadeira.

Melhor se tiver o colo de um anjo onde deixar de ocultar a fragilidade, e saber-se amada, e sentir-se acolhida, assim tão nua, tão crua, tão somente eu.

Melhor ainda se a gente racionasse menos o colinho, depois que cresce cronologicamente. Se você quer, pode sentar no meu... ou pode visitar http://www.picarelli.com.br/fotolegendas/fotolegenda12200405.htm, caso queira conhecer opções bem mais fáceis no mercado! (Tudo bem, é sarcasmo, mas é o mundo em que vivemos!)
(Ei, isso é pra sorrir!)

terça-feira, março 27, 2007

Nota de esclarecimento

Não, eu não vou te culpar, nem poupar. Não quero saber se amanhã voce virá com beijos quentes, ou críticas ácidas. Eu quero enfrentar meu medo, e não fingir que ele não existe. Tomar minhas decisões, cometer meus erros, abraçar meus desejos, arriscar meus passos num caminho único, que me devolve ao meu próprio amor. Voce pode interferir, opinar, sugerir, criticar, mas não desvalorizar por comparação com outros universos que lhe são familiares e muito mais confortáveis... muito menos me dar bronca por não ser como voce queria que eu fosse. Seja meu convidado. Fique realmente à vontade! Mas não pense que tudo aqui é seu. O limite é o respeito, mesmo que à noite saiamos selvagens nos devorando.

Anabel

Fotografia: Paul Stack