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sábado, agosto 08, 2009

A existência não pode ser forçada a ir com você

"Eu estava hospedado em uma pousada, numa aldeia. Era uma aldeia muito pobre, mas ela estava cheia de muitos cachorros. Todos eles se reuniam à noite ao redor da pousada. Devia ser seu hábito usual. A pousada era um lugar agradável - grandes árvores, sombra, e eles costumavam ficar descansando lá toda a noite. Eu estava lá e um ministro estava hospedado lá.

O ministro ficou muito incomodado porque os cachorros estavam latindo, criando muita perturbação. A metade da noite havia se passado e o ministro não dormira, então ele veio até mim.

Ele disse: "Você está adormecido?", Eu havia dormido rápido, então ele chegou perto de
mim, me despertou e disse: "Por favor, diga-me como você pôde cair no sono no meio de tanto barulho ao seu redor. Pelo menos vinte a trinta cães estão aí e eles estão brigando e latindo e fazendo tudo o que os cães normalmente fazem. Então, o que fazer? Eu não posso dormir, será difícil para mim. Amanhã eu tenho que viajar novamente. Eu partirei de manhã cedo. O sono não aparece, e eu tenho tentado todos os métodos que aprendi e ouvi a respeito - cantando mantra, rezando para Deus, etc. Eu tenho feito tudo, mas nada acontece, então o que fazer agora"?

Então, eu disse a ele: "Estes cães não estão reunidos aqui por você ou para perturbar você. Eles não estão cientes que um ministro está hospedado aqui. Eles não leram os jornais. Eles são completamente ignorantes. Eles não estão aqui propositalmente.
Eles não estão preocupados com você. Eles estão fazendo seu trabalho. Por que você está se deixando perturbar?

Então ele disse:
"Por que eu não deveria? Como não? Com tanto latido, como eu posso pegar no sono?"

Eu disse a ele; "Não lute com o latido. Você está lutando: este é o problema - não o barulho. O barulho não está perturbando você. Você está perturbando a si mesmo por causa do barulho. Você está contra o barulho, então você tem uma condição. Você está dizendo: "Se os cães pararem de latir, então eu dormirei". Os cães não ouvirão você.

Você tem uma condição. Você sente que se a condição for preenchida, então você pode dormir. Esta condição está perturbando você. Aceite os cães. Não faça uma condição que "Se eles pararem de latir, então eu dormirei". Apenas aceite.

Os cães estão lá e eles estão latindo: Não resista, não lute. Não tente esquecer aqueles barulhos. Aceite-os e ouça-os: eles são belos. A noite está tão silenciosa, eles estão latindo de modo tão vital. Apenas ouça. Este será o mantra - o mantra correto: apenas ouça-os.

Entã,o ele disse, "Ok, Eu não acredito que isto ajudará, mas como não há nada mais a fazer, eu tentarei. "Ele caiu no sono, e os cães ainda estavam latindo. De manhã ele disse: "Isto é milagroso. Eu os aceitei. Eu retirei minha condição. Eu ouvi. Aqueles cães se tornaram muito musicais, e eles latindo, seu barulho, não estava perturbando. Mais tarde, tornou-se uma espécie de canção de ninar e eu caí num sono profundo, por causa dela".

Depende da sua mente. Se você é positivo, então tudo se torna positivo. Se você é negativo, então tudo se torna negativo, tudo se torna amargo. Então, por favor, lembre-se disto - não somente com relação a barulhos, mas a respeito de tudo na vida: se você sente que algo negativo existe ao seu redor, vá e encontre a causa no seu interior. É você. Você deve estar esperando algo, você deve estar desejando algo, você deve estar criando algumas condições.

A existência não pode ser forçada a seguir de acordo com você.
Ela flui a seu próprio modo. Se você puder fluir com ela, você será positivo. Se você lutar com ela, você se tornará negativo e todas as coisas, todo o cosmos ao seu redor, se tornará negativo.

É apenas como uma pessoa que está tentando flutuar rio acima: então, a corrente é negativa. Se você está tentando flutuar contra a corrente num rio, então, o rio parecerá negativo e você sentirá que o rio está combatendo você - que o rio está empurrando você para baixo.

... O rio está completamente inconsciente de você, felizmente inconsciente. E é bom, de outro modo o rio iria para um hospício.
O rio não está lutando com você: você está lutando com o rio. Você está tentando flutuar corrente acima.

... A mente está sempre tentando ir contra a corrente, mover-se contra a corrente. Lutando com tudo, você cria um mundo negativo ao seu redor. Obviamente, isto tem que acontecer. O mundo não está contra você. Por que você não está com o mundo, você o sente contra você. Flua com a corrente, e então o rio ajudará você a flutuar. Então sua energia não será necessária. O rio se tornará um bote: ele levará você. Você não perderá nenhuma energia flutuando com a corrente porque uma vez que você flutue com a corrente você terá aceito o rio, a corrente, o fluir, a direção, tudo. Então, você terá se tornado positivo para ele. Quando você é positivo, o rio é positivo para você."

OSHO - em Vigyan Bhairav Tantra
PS: Colhi no http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=08979
Quando o trovão vem nos sacudir convocando a mutação, é bom tomarmos a oportunidade para desapegar dos hábitos que nos obstruem o caminhar, e seguir, prosseguir, olhando firmemente em frente. Nada de olhar para trás, ou para os lados, ou para além. O universo é sábio, e ele está dentro de nós.
Anabel

sábado, agosto 23, 2008

Partícula Elementar

Às vezes coloco meu ponto de vista sobre um coletivo de que faço parte com tanta veemência, que algumas pessoas podem pensar que estou tentando falar por elas. Posso até falar, se isso é um acordo comum ao grupo, mas na maior parte das vezes é meu ponto de vista que estou tentando expressar sobre um acontecimento que me afeta, e como percebo sua reverberação no coletivo a que pertenço. Pensando que esse coletivo é constituido de indivíduos com os quais tenho uma relação de parceria, que passa pela afetividade inclusive.
É verdade que exercito bastante a alteridade, o colocar-me no lugar do outro, mas nem sempre é possível transcender meu repertório de vida, e compreender de fato o lugar do outro. Ainda assim, acho um exercício importante sair de mim para buscar compreender a atitude alheia. Às vezes porém é preciso limitar-me a cuidar do meu lugar, reconhecer seus contornos, para não me perder demais no lugar que eu penso ser do outro, e ficar sem norte, aprisionada num dilema por um tempo longo demais, desperdiçando uma oportunidade de conhecer algo diferente daquele ponto de vista.
Conflitos e insatisfações são fontes de aprendizado se estamos disponíveis para nos rever, reler, mudar de opinião, reconhecer atitudes rígidas da nossa parte que precisamos flexibilizar, como preconceitos, ou flexíveis demais que precisamos enrijecer, como diletantismo ou falta de compromisso. (Muito sábio Che Guevara em sua frase mais pop, mas será que refletimos o suficiente sobre ela?)
Claro que fatores subjetivos como empatia, estado emocional, traumas, entre outros, interferem e podem até impedir que estejamos abertos para esse tipo, essa dinâmica de aprendizado. Nesse caso, é preciso ter coragem de admitir também quando não estamos prontos para "encarar uma encrenca", e ter humildade suficiente para dizer: desculpe, não estou conseguindo, não sinto que seja um bom momento para conversar sobre isso agora.
Falta de objetividade na expressão oral também pode fazer soar como desimportante algo que, se houver a chance de melhor elaborar, pode gerar insights significativos. Ou pode acontecer de cada um ouvir uma coisa daquilo que foi dito, e ninguém escutar nada além das próprias vozes que carrega dentro de si.
A autonomia não é um estado de perfeição que se atinge na marra, nem nos é outorgada por alguém, é uma construção, uma conquista, antes de mais nada, dos nossos próprios caquinhos servis, tirânicos, medrosos ou rebeldes, em busca da maturidade que nos permita questionar e agir com coerência, mesmo indo contra convenções e leis que, numa situação específica, ou num novo contexto, se tornem apenas dogmas.
Falo disso tudo porque me ocorreu tentar formular uma crítica dentro de um grupo, pensando em contribuir para um relacionamento mais transparente, com simplicidade, que virou uma lavação de roupa para uns, um momento de descarga para outros, um momento de afirmação da autoridade para outros, um medo de serem expostos e perder os postos para outros ainda, uma balbúrdia onde todos falavam só de e para si. Acabei com a sensação de ser mal interpretada, mas penso agora que foi a minha falha na objetividade que desencadeou o desabafo geral, o que foi bom. Transcendendo o nível das mágoas, acho que há muitos pontos de aprendizado que essa crise fez emergir. E acredito que o grupo só tem a crescer com isso, se cada membro dele estiver disposto a baixar a guarda e buscar olhar de um outro lugar o problema, procurando juntos por soluções, ou outras questões importantes que possam vir daí.
Semear perguntas não é só um refrão ao qual se possa aderir inconsequentemente!