sábado, abril 26, 2008

O Medo de Amar é o Medo de Ser Livre

Beto Guedes & Fernando Brant

O medo de amar é o medo de ser

Livre para o que der e vier

Livre para sempre estar
onde o justo estiver

O medo de amar é o medo de ter

De a todo momento escolher

Com acerto e precisão
a melhor direção
O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar
Prá ficar
O medo de amar é não arriscar

Esperando que façam por nós

O que é nosso dever: recusar o poder

O sol levantou mais cedo e cegou

O medo nos olhos de quem foi ver
Tanta luz

http://cifraclub.terra.com.br/cifras/beto-guedes/o-medo-de-amar-o-medo-de-ser-livre-gkj.html
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Esses mineiros... agora dei de ouvir aquelas velhas eternas músicas de outro jeito. Por exemplo:
O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder
Hoje escuto/leio/sinto isso de um ponto de vista muito mais pessoal, não mais como um libelo de resistência política apenas. Agora entendo recusar o poder como um exercício de consciência e recusa do poder que a gente exerce através do orgulho, da rigidez, da frieza (às vezes travestida de um jeito blazé, tá tudo bem comigo, vc que tá encanado) esperando que o outro ceda, adivinhe, venha, prove que somos importantes, amados, queridos, que estamos certos, "e se não vier que se dane, eu sou assim". É mais fácil ficar em segurança na própria fortaleza, que arriscar se expor desarmado, frágil, querendo o outro. É mais fácil se anestesiar com internet, fumaças, álcool, tv, e fingir que nada está acontecendo, não é comigo. Medo de arriscar, de aventurar-se no desconhecido, e se perder no outro por não controlá-lo, e não ter mais contrôle ao se expor assim tão sem defesa. Medo de ter de a todo momento escolher com acerto e precisão a melhor direção. Medo de ser surpreendido, de ser surpreendente, de se surpreender consigo mesmo. Medo de não ter nome pro que sente.
Quando se trata de um relacionamento a dois, esse exercício deveria ser recíproco, não é? Em geral, um só faz esse movimento quase todas as vezes, até não sobrar mais energia pra chamar o outro atrás do muro da casa fechada que é só dele.

Aí levanta mais cedo o sol, querendo entrar pra ficar na casa fechada, que é nossa, e cegar o medo de quem for ver tanta luz. Que será que isso quer dizer? O que você sente quando ouve isso? ;)

Anabel

4 comentários:

  1. "O medo de amar é o medo de ser livre": uma frase de impacto, bem construída, mas que não diz nada de bom: confunde amar com "ser livre".

    Não sei. Mas só quem é livre pode amar de verdade. Fingir, até o escravo consegue.

    E a luz do sol só esclarece quem já é brilhante...

    Idéias e propostas para outras reflexões. Voltarei.


    Abraços, flores, estrelas..

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  2. Edson, suas reflexões e suas propostas são muito instigantes!
    Tão sábio o que vc diz sobre a confusão de idéias no título da canção! Concordo, "só quem é livre pode amar de verdade", mas também só pode ser livre de verdade quem ama a si, ao outro, à humanidade, ao universo, à vida e seus ciclos.
    Estava tentando imaginar alguém realmente livre sem amor, e acabei pensando em psicopatas! :P Mas psicopatas são escravos de suas obsessões...
    Acabei (ou comecei) em Walt Whitman, Isadora Duncan, Anais Nin, Henry Miller, Sartre, Simone de Beauvoir, Osho, Lao Tse. Livres. Amorosos. Profundamente amorosos.
    Ainda quero conversar mais disso.
    Bjo

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  3. Oi Bel, gostei dessa proposta de reflexão em conjunto!!!

    Eu penso que quando fazemos esse movimento de tentar recusar esse poder, de tudo isso que vc disse, de orgulho e tudo mais, entramos num outro movimento de luminosidade, de olhar de outra maneira de viver de outra forma, que temos que de fato deixar essa luz cegar o medo! Esse medo que por muitas vezes nos impede de entrar em contato com a gente mesmo e nos fazer resistir às mudanças!!

    Então o sol chega em nossa casa pra ficar...e muitas vezes se não deixarmos de fato ele cegar o medo...por quanto tempo ele ficará???

    Porque resistimos tanto ao brilho dessa luz heim?!?!?!?

    Vamos refletindo...

    Beijão.

    Katia

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