sexta-feira, dezembro 22, 2006



É madrugada
é ela, gelada
a negra madrugada

e quando eu menos espero
explode a gargalhada
aquela que faz com que escorra
do canto do olho
uma lágrima roubada

aquela gargalhada atrevida
que rouba o espaço do choro
e explode embriagada
na calada da oportuna madrugada

A cúmplice madrugada
que nunca diz nada
mas contempla a tudo
como se tudo aquilo
não fosse nada

E ali, parada, gelada
é uma porrada
no olho do coração do poeta
que sozinho dentro dela
se embriaga de paixão e de cachaça

Tudo isso no meio da praça
sozinho
no meio da madrugada

Luiz Valentim

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