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sexta-feira, outubro 22, 2010

Gibrando aos 46

Caminho para sempre nestas praias
Entre a areia e a espuma.
Gibran Khalil Gibran - "Arei a e Espuma"
A maré alta apagará minhas pegadas.
E o vento dissipará a espuma.
Mas o mar e a praia permanecerão
Para sempre.
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Uma vez, enchi minha mão de neblina.
Depois, abri-a; eis que a neblina era um verme.
Fechei e abri novamente minha mão, e lá estava um pássaro.
E novamente fechei e abri minha mão, e em seu côncavo, erguia-se um homem de face triste, virada para cima.
Fechei minha mão mais uma vez e quando a abri, não havia nada senão neblina.
Mas ouvi uma canção de inexcedível doçura.
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Coisa estranha, o desejo de certos prazeres é uma parte de minha dor.
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Um senso de humor é um senso de proporção.


Gibran Khalil Gibran, in "Areia e Espuma"


Há tanto tempo não lia Gibran! Reencontrá-lo neste momento de reflexão em que me olho quase aos 46 parece tão providencial. É tão iluminador que me dá vontade de blogar o livro todo, que é desejo de devorar no contentamento de reconhecer-me, mas também de degustar lentamente na simplicidade profunda dos insights, lampejos internos.
Também reencontrei Hermann Hesse e sua "Arte dos Ociosos", trazendo a vitalidade do corpo, as indagações do espírito, e celebrando a indissociabilidade desses aspectos do humano. E agora me assopra a memória Walt Whitman, com quem vou me reencontrar daqui a pouco dizendo que a alma é o corpo e o corpo é a alma, sem tirar nem por.
E penso nessa minha trajetória bailarina... e no desapego que necessito para dançar em novos horizontes que inevitavelmente vem surgindo.
Não necessariamente às reviravoltas, mas certamente a grande lei sempre se cumpre: MUDANÇA. 
E continuo me atrapalhando com alguns passos...


Anabel

quarta-feira, março 10, 2010

Tempo sem tempo

José Miguel Wisnik

vê se encontra um tempo


pra me encontrar sem contratempo

por algum tempo

o tempo dá voltas e curvas

o tempo tem revoltas absurdas

ele é e não é ao mesmo tempo

avenida das flores

e a ferida das dores

e só então

de sopetão

entro e me adentro no tempo e no vento

e abarco e embarco no barco de Ísis e Osíris

sou como a flecha do arco do arco do arco-íris

que despedaça as flores mais coloridas em mil fragmentos

que passa e de graça distribui amores de cristais totais sexuais celestiais

das feridas das queridas despedidas

de quem sentiu todos os momentos
 
 
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É porque a gente não procura que não encontra esse tempo que poderia ser o tempo que tudo pode curar a partir do encontro.
 
Anabel