quarta-feira, fevereiro 07, 2007

minha flor surgiu num ápice seguido de um desencontro cheio de desencantos
foi brotando em meio à árida paisagem que eu percorria
trazendo um sopro mais fresco, umas cores pastéis

minha flor ficou com medo de que eu a deixasse sem nem bem cultivá-la
mas foi se adaptando à rotina caótica e espalhando nela seu perfume
transformando o significado de compromisso em festa

minha flor me ensina que só eu posso ser eu mesma e que é preciso sê-lo
para alimentá-la, cuidá-la, amá-la, dar suporte pra seu caule crescer forte
maravilhando-me com suas pétalas, enquanto vento, borboletas e abelhas levam seu pólen

minha flor dá uma canseira, cresce rápido, tem que trocar de vaso toda hora

descobrir quais as necessidades subjetivas e subjacentes de cada momento
mostrando que sacrifício é menos dolorido que sagrado, mais ofício do que fardo


minha flor me desafia a superar meu preconceito contra limites
exige que eu os deixe claros, e não titubeie se as palavras não explicarem o suficiente
definindo atitudes necessárias para não embaralhar nossos papéis

minha flor me amplia os horizontes sem cair em megalomania
tomo coragem para traçar rotas, arriscar-me em novos planos, realizar sonhos
lembrando que só se vive um dia de cada vez

à minha filha, meu amor

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