Agenda de performances, improvisações, lives, apresentações e espaço para considerações sobre atitudes cotidianas e suas reverberações no planeta. Bem vindo, bem vinda, bem vinde!
terça-feira, janeiro 29, 2019
segunda-feira, janeiro 21, 2019
Primeiro CD solo - Além da expansão dos desertos
A campanha para financiamento coletivo do meu primeiro álbum autoral está aberta até 03 de março no site www.catarse.me/anabelandres!
Que tal reservar seu CD "Além da expansão dos desertos" e me dar seu apoio tão fundamental?
Conto com vocês!
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| Foto de Jane S. Oliveira |
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terça-feira, dezembro 04, 2018
Dezembro tem o show Duas Beiras, campanha do Catarse pra meu álbum e Vozes Bugras!

Dia 08 às 19h tem show Duas Beiras: das barrancas do São Francisco às margens do Rio Pinheiros com minha parceira querida Priscila Magella, no Espaço 8!
Quer colaborar na campanha de financiamento coletivo do meu álbum autoral
"Além da expansão dos desertos"?
Acesse
https://www.catarse.me/anabelandres
Dia 21 estarei com o Vozes Bugras no SESC Pinheiros
domingo, novembro 18, 2018
Para ver mais!
Visitem meu canal do Youtube para conhecer as canções e outras intervenções artísticas!
sexta-feira, novembro 02, 2018
NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI de EDUARDO ALVES DA COSTA
NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!
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