Sexta-feira, Novembro 27, 2009

A outra banda da Terra


Caetano Veloso


Amar


Dar tudo

Não ter medo

Tocar

Cantar

No mundo

Pôr o dedo

No lá

Lugar

Ligar gente

Lançar sentido

Onda branda da guerra

Beira do ar

Serra vale mar

Nossa banda da terra é outra

E não erra quem anda

Nessa terra da banda

Face oculta azul do araçá



Falar verdade

Ter vontade

Topar

Entrar na vida

Com a música

Obá

Olá

Brasil

‘Ta que o pariu

Que gente!

Cantuária e Holanda

Maputo Rio

Luanda lua

Nossa banda da terra é outra

Canadá Jamaicuba

Muitas gatas na tuba

Dos rapazes da banda cá

Gozar

A lida

Indefinidamente

Amar
 
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Mais uma vez as palavras do poeta dizem mais que qualquer tentativa de traduzir o agora. Sempre existirão novos e lindos canteiros para borboletas encantarem e sugarem novos e deliciosos néctares. Sempre é possível nascer para um sonho novo.

Anabel

Domingo, Novembro 22, 2009

Eu acredito que só é possível construir um relacionamento maduro com o jogo aberto, a verdade sem medo, a admiração mútua, a parceria, o carinho, a guarda baixa, o respeito pelo sentimento do outro e o próprio, o desejo compartilhado, a lealdade, e não necessariamente a fidelidade sexual, a honestidade em cada momento, a flexibilização de pontos de vista, o "frescobol" no diálogo, a expressão sincera de sentimentos, o amor que abraça as diferenças e potencializa as individualidades.

Anabel

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Cuidando de mim, resgatando dos escombros flauta e flor, me encontro em fragmentos esparsos ainda pulsantes de outro tempo. http://anabelica.blogspot.com/2006/12/queda-muito-livre-o-abismo-vida-que-se.html

Por enquanto...


Anabel

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Alguém cantando


Caetano Veloso


Alguém cantando longe daqui


Alguém cantando longe, longe

Alguém cantando muito

Alguém cantando bem

Alguém cantando é bom de se ouvir

Alguém cantando alguma canção

A voz de alguém nessa imensidão

A voz de alguém que canta

A voz de um certo alguém

Que canta como que pra ninguém

A voz de alguém quando vem do coração

De quem mantém toda a pureza

Da natureza

Onde não há pecado nem perdão




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A voz do coração, se sempre ela pudesse ter soado nas nossas palavras... o que cria o pecado é a mentira, porque é mentira o próprio pecado. E se há mentira, onde não soa a voz do coração, tem que haver perdão pra ela voltar a soar livre. Livre do medo.

Bel

Domingo, Novembro 15, 2009

Miedo

Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

Tienen miedo del amor y no saber amar


Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz

Tienen miedo de pedir y miedo de callar

Miedo que da miedo del miedo que da



Tienen miedo de subir y miedo de bajar

Tienen miedo de la noche y miedo del azul

Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar

Miedo que da miedo del miedo que da



El miedo es una sombra que el temor no esquiva

El miedo es una trampa que atrapó al amor

El miedo es la palanca que apagó la vida

El miedo es una grieta que agrandó el dolor



Tenho medo de gente e de solidão

Tenho medo da vida e medo de morrer

Tenho medo de ficar e medo de escapulir

Medo que dá medo do medo que dá



Tenho medo de acender e medo de apagar

Tenho medo de esperar e medo de partir

Tenho medo de correr e medo de cair

Medo que dá medo do medo que dá



O medo é uma linha que separa o mundo

O medo é uma casa aonde ninguém vai

O medo é como um laço que se aperta em nós

O medo é uma força que não me deixa andar



Tienen miedo de reir y miedo de llorar

Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser

Tienen miedo de decir y miedo de escuchar

Miedo que da miedo del miedo que da



Tenho medo de parar e medo de avançar

Tenho medo de amarrar e medo de quebrar

Tenho medo de exigir e medo de deixar

Medo que dá medo do medo que dá



O medo é uma sombra que o temor não desvia

O medo é uma armadilha que pegou o amor

O medo é uma chave, que apagou a vida

O medo é uma brecha que fez crescer a dor



El miedo es una raya que separa el mundo

El miedo es una casa donde nadie va

El miedo es como un lazo que se apierta en nudo

El miedo es una fuerza que me impide andar



Medo de olhar no fundo

Medo de dobrar a esquina

Medo de ficar no escuro

De passar em branco, de cruzar a linha

Medo de se achar sozinho

De perder a rédea, a pose e o prumo

Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo



Medo estampado na cara ou escondido no porão

O medo circulando nas veias

Ou em rota de colisão

O medo é do Deus ou do demo

É ordem ou é confusão

O medo é medonho, o medo domina

O medo é a medida da indecisão



Medo de fechar a cara

Medo de encarar

Medo de calar a boca

Medo de escutar

Medo de passar a perna

Medo de cair

Medo de fazer de conta

Medo de dormir

Medo de se arrepender

Medo de deixar por fazer

Medo de se amargurar pelo que não se fez

Medo de perder a vez



Medo de fugir da raia na hora H

Medo de morrer na praia depois de beber o mar

Medo... que dá medo do medo que dá

Medo... que dá medo do medo que dá

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"O medo da morte não é medo da morte; é medo de ficar insatisfeito. Você vai morrer e não viveu nenhuma experiência ao longo da vida.
Não amadureceu, não cresceu, não floresceu. Você chegou de mãos vazias e vai partir de mãos vazias.
Esse é o medo!
(...) Existem os medos e existe essa ânsia constante pela busca. E eu espero que os medos não sejam os vencedores, porque qualquer pessoa que viva com medo não vive de verdade, ela já está morta. O medo faz parte da morte, não faz parte da vida. Risco, aventura, explorar o desconhecido, é disso que se trata a vida.
Então, tente entender os seus medos. E lembre-se de uma coisa: não apóie esses medos, eles são seus inimigos. Apóie o anseio, o ímpeto que está vivo dentro de você, torne-o tão flamejante que ele possa queimar todos esses medos e você possa empreender a sua busca."

Osho
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Dedicado a Jamil.