terça-feira, dezembro 31, 2013

Um recadinho de meu pai

- Esta semana estava com minha mãe olhando alguns papéis de meu pai, que há um ano partiu desta dimensão, e encontrei um recorte de jornal com este texto e várias cópias, coisa que ele gostava de fazer com textos que traziam alguma reflexão, muitas vezes engraçada e paradoxal, para depois dar aos amigos, e conversar a respeito. Acho que foi isso mesmo o que ele fez, com uma intuição precisa do momento, deixando esse texto que compartilho agora.

Passou 


Por Rubem Braga

O ano passou. Não sei se vós, leitor amigo, ou vós, distinta leitora, o passastes bem. Eu, como já passei muitos, os tenho passado de todo jeito, e ainda hoje esse segundo que vem depois da meia-noite me perturba.

Já passei ano só, em terra estranha, ou – o que é mais amargo – na minha; ou andando como um tonto na rua ou afundado num canto de bar ruidoso; ou tentando inutilmente telefonar; dormindo; com dor de dente. E quando digo de todo jeito estou dizendo também de jeito feliz, entre gente irmã ou nos braços de algum amor eterno – braços que depois dobraram a esquina do mês e da vida, e se foram, oh! provavelmente sem sequer a mais leve mágoa nos cotovelos, apenas indo para outros braços.

Passam os anos, passam os braços; mas fica sempre, quando a terra dá outra volta em si mesma, essa emoção confusa de um instante. Conheço pessoas que fogem a esse segundo de consciência cósmica, afetando indiferença, indo dormir cedo – como se não estivessem interessadas em saber se esta piorra velha deste planeta resolveu continuar girando ou não. É singular que entre tantas festas religiosas e cívicas nenhuma chegue a ser tão emocionante e perturbe tanto a humanidade como esta, que é a Festa do Tempo. É como se todos estivéssemos fazendo anos juntos; é o Aniversário da Terra.

Se a alma estremece diante do Destino, o espírito se confunde; reina uma tendência à filosofia barata; vejam como eu começo a escrever algumas palavras com maiúsculas, eu que levo o ano inteiro proseando em tom menor, e mesmo o nome de Deus só escrevo assim para não aborrecer os outros, ou para que eles não me aborreçam..

Já ao nome do diabo, não; a esse sempre dei, e dou, o 'd' pequeno, que outra coisa não merece a sua danação. A ele encomendamos o ano que passou - e a Deus, o Novo. Que vá com maiúscula também esse Novo; fica mais bonito, e levanta nosso moral.

E se entre meus leitores há alguma pessoa que na passagem do ano teve apenas um amargo encontro consigo mesmo, e viveu esse instante na solidão, na tristeza, na desesperança, no sofrimento, ou apenas no odioso tédio, que a esse alguém me seja permitido dizer: "Vinde. Vamos tocar janeiro, vamos por fevereiro e março e abril e maio, e tudo que vier; durante o ano a gente o esquece, e se esquece; é menos mal. E às vezes, ao dobrar uma semana ou quinzena, ás vezes dá uma aragem. Dá, sim; dá, e com sombra e água fresca. E quem vo-lo diz é quem já pegou muito sol nos desertos e muito mormaço nas charnecas da existência. Coragem, a Terra está rodando; vosso mal terá cura. E se não tiver, refleti que no fim todos passam e tudo passa; o fim é um grande sossego e um imenso perdão.

Siempre te amaré

segunda-feira, dezembro 30, 2013

Recortes de 2013

Início de ano mergulhando no amor. Tântra.
Una luz al otro lado del rio... saudade.


Filhota acompanhando os percursos burocráticos...

Amiga Clau de sempre!



Homenagem de meu amigo querido Leo Maciel:
Por que me eleger só no verão se eu sou musa de qualquer estação?



Aprendendo com meninas Cristal

Irmãs e mãe sempre por perto

Reencontro mana xamânica Lou!

Lou e Máximo, delicioso encontro!

Reencontros com eternos amigos e points rock'n'roll

Viagem com meus queridos amigos Guarani a Peguao Ty



Participar do lançamento solo de mana Ully
Bugras em Tenondé Porã! 

Novas fotos

Muitos caminhos com a música

















Começando o novo cd 

Força dos encontros
Reencontros com muito astral!

Oficina das Bugras

Folando em Guaxupé com mana Cássia



Muitos shows com manas Bugras
Preparação do ritual

E passagens de som


Novas parcerias


Reencontros orgânicos performáticos! 

Renovação das energias com amigos e música orgânica

Ariguê!

quarta-feira, dezembro 11, 2013

Vozes Bugras com disco novo a caminho!

Segundo cd do meu grupo querido, Vozes Bugras, no qual trazemos a beleza das cantorias e histórias que se realizam durante os meses de dezembro e janeiro, celebrando o nascimento de Jesus e o caminho dos Santos Reis, configurando um ciclo natalino autenticamente brasileiro... 
Precisamos do apoio coletivo para concluir o projeto! O apoio é como uma compra virtual, na qual você escolhe o valor e a recompensa. Clique no link http://catarse.me/pt/vozesbugras2 
Ajude a realizar este projeto! Este sonho! Este CD! Esta Folia!

E as cantorias estarão no show:


Rádio Yandé, uma rádio indígena!

Ouça! 

quinta-feira, julho 11, 2013

Vocacional Música

Vocacional Música: Informes: A arte de fazer o bem Por RANDY KENNEDY Em meio ao boom da arte comercial nos EUA, outro tipo de mundo artístico está começando a ...

sábado, julho 06, 2013

A comida envenenada do nosso dia a dia

É muito séria a guerra da comida. Sem perceber a importância de nossas escolhas cotidianas de alimentos, permitimos que uma empresa gigante domine toda a agricultura do planeta.
A Monsanto é uma transnacional que faz defensivos e sementes geneticamente modificadas, que resistem aos agrotóxicos (que eles mesmos fabricam) que são pulverizados sobre a lavoura para matar as ervas daninhas e outras pragas. Ou seja: a própria semente se torna veneno puro! E no processamento destes alimentos dentro de nosso corpo, o que será que acontece?

Muitas pesquisas evidenciam o desenvolvimento de câncer, diabetes, entre outros desequilíbrios fatais no desenvolvimento do organismo de animais (tadinhos) alimentados à base de alimentação transgênica. http://www.idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/saiba-o-que-sao-os-alimentos-transgenicos-e-quais-os-seus-riscos E vários países já baniram os produtos da Monsanto de suas importações.

Além disso eles cercam os agricultores de toda forma, porque a produção cresce e a perda diminui,  - claro, nenhuma forma de vida que habite as plantações resiste a essa combinação de sementes e pesticidas,- e os mesmos são obrigados a comprar sementes sempre, pois nada se reproduz desses grãos. E os pequenos agricultores
tornam-se reféns dessa manipulação. http://www.consciencia.net/2004/mes/01/transgenicos.html

Mas em muitos países, inclusive no Brasil, os agricultores estão se organizando judicialmente para quebrar o poder dessa indústria da morte. e não está sendo fácil, imagine que eles tem até uma lei de proteção nos EUA!!!! http://www.cut.org.br/acontece/23305/monsanto-perde-processo-criminal-contra-movimentos-sociais

E podemos também nos organizar fortemente para exigir que eles caiam fora do nosso prato. Vou compartilhar algumas atitudes que eu estou tomando, e convido vc a também tomar:

Primeiro passo: deixar de comprar tudo que tenha no pacote o símbolo de transgênico, olhando atentamente na embalagem - atenção especial aos produtos de milho e soja! Você vai se surpreender ao constatar que vc se alimenta - e à sua família e seus animais de estimação - com muitos transgênicos! E divulgar para o maior número de pessoas se esclarecerem quanto a essa questão fundamental!


Segundo passo: participar de campanhas e abaixo assinados para banir esses produtos de nossa mesa e da agricultura. 

Terceiro passo: Exerça seu direito do consumidor. Eu escrevi para o SAC algumas das marcas que costumava comprar de alimentos (Yoki, Pepsico, por enquanto) o seguinte: "Acabo de perceber que todos seus alimentos provenientes do milho  (ou soja, ou outros) são trangênicos, e embora sempre tenha consumido seus produtos, quero que saibam que deixarei de compra-los enquanto utilizarem essa tecnologia venenosa nos alimentos que produzem, e alertarei todas as pessoas de meus círculos, para que fiquem mais atentas com as escolhas que fazem nos mercado. 
Espero que vcs revejam a necessidade de lucrar tanto contra o valor da saúde dos seres humanos que consomem seus produtos." - acho que fui até sutil demais, né? Mas milhares de consumidores juntos não parecerá tão sutil!

Quarto passo: divulgar divulgar divulgar ir pra rua, pra janela, redes sociais,  mídias, amigos, parentes, conhecidos.

E podem mandar outras sugestões de atitudes para desmontarmos essa engrenagem perversa que sorrateiramente está se instalando em nossa VIDA. 
"Pensem no filhote do filhote que ainda vai nascer."

E quem me despertou pra essa realidade cotidiana foi minha amiga Guarani, Jerá, antenadíssima no milho que tem circulado na aldeia, já que é o alimento fundamental da alimentação Guarani, e que vem observando alguns casos de câncer em pessoas mais velhas da aldeia, que podem ser associados ao consumo constante de produtos de milho transgênico. A coisa é de assustar. 
Precisamos tomar essa atitude.


sábado, maio 04, 2013

Carta pra Luiz Claudio

Eu quero tudo de novo. Quero cantar com vc, tocar piano noite adentro inventando milhares de vezes nossos mundos blues, nossas gargalhadas, confidências inconfessáveis, o não medo de falar do que não é positivo, mergulhar nas sombras e dar rasantes saindo rumo a ensolarados insights de humanidade. Como eu sinto tua falta, meu irmão. Sinto tanto tanto tua falta neste mundo facebook, onde a gente compartilha tanta coisa, mas não o mergulho na nudez do aqui agora... tudo mentalbook, shortbook, alrightbook, líquido, líquido, líquido. Ninguém mais chora, não muito, pois tudo muda, bola pra frente, transmuta-se, ou melhor, diz-se que se transmuta, sem nem bem viver a dor. É tudo meio batata smiles... sem silêncios Miles, nem menos. Tudo mais, positive vibration, passa para outra, a fila anda, nada pode me atingir... irreais e fugidias experiências que não devem tirar ninguém do foco e do eixo.
"É madrugada, é ela gelada... pensei que blues fosse sempre azul, mas ele é o negro blues... numa noite dessas atrás me peguei sozinho comigo"... Ouço sua voz. Dentro de mim ainda ressoa teu timbre. Por todos os séculos antes e depois do nosso encontro, ressoa. O nosso encontro ressoa. Espero que vc esteja bem. E quando eu for, venha me buscar na porta, pode ser?

terça-feira, abril 16, 2013

Coisas da Vida

Quando eu era (ou estava) jovem - entre 17 e 28 - me permiti fazer algumas aventuras, e muita gente ficou falando que eu era irresponsável, que eu tinha que voltar, o que os outros vão falar, que seria do meu futuro... Mas eu precisava viver aquela intensidade, tinha a sensação de que aquilo era um tesouro que eu teria para sempre na minha experiência. E com a consciência de minha divindade, nunca fui em busca de autodestruição, "apenas" aventura, algum risco, passos no desconhecido, no vir a ser. Claro, que uns bons porres fizeram parte...
Bem, talvez meu futuro daquele tempo, que é meu presente, não tenha sido tão confortável quanto de tantas pessoas que preferiram garantir suas contas, e confesso que é duro ter que matar uns leões por dia, e ter incertezas financeiras quase aos 50! Será que vai rolar show, corre atrás daquele edital, oficina de vez em quando... 
Mas aqueles momentos, aquelas passagens atrevidas, aquelas cantorias na rua de madrugada, beijos sob a garoa, semanas acampados comendo alga e peixe, aquele roteiro na sorte do próximo trem que partir, dançar no túnel, amar ao por do sol na praça, na praia, na rede, no mato, na canoa, no carro, dançar com o vento, o corpo nu, o ventre prenhe, caminhar na tempestade à beira mar, são momentos que eu trago como um gosto tão suculento e doce da vida, como se fossem pedras preciosas da Rede de Indra que é a vida, que me conecta eternamente a cada pessoa com quem os compartilhei. 
E vejo que foi bom não ser tão responsável e obediente e previdente. 
Na verdade, a gente precisa de tão pouco pra ser feliz, mas pode acontecer de ficar correndo atrás da ilusão de corresponder ao status quo... e não ter um prazer genuíno sequer, a não ser aquela fachada, aquele facebook cheio de postagens de estereótipos e chavões otimistas que não são vivenciadas no dia a dia.
Enfim, não tem fachada que possa proporcionar os ecos de uma verdadeira experiência. 
A energia que reverbera daquelas experiências ainda faz tudo ganhar um sentido bem mais profundo. A vida sem risco seria um fiasco...

Coisas da vida!




quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Passagem

Sisifo, de Tiziano 1549
Não me sinto particularmente motivada a grandes e generosas reflexões ultimamente. Penso e sinto que há momentos em que é tanta energia necessária para sobreviver, que o olhar poético fica adormecido, ou amortecido... mas a gente insiste, que é pra não perder o sentido do existir. Não dá pra se confortar só com as benevolências kármicas que advirão dessa provação toda. A esperança é que, como tudo passa, vai passar. Mas tá doendo essa passagem.