sábado, março 27, 2010

outros olhos

Ontem participei do workshop "Reeducação Visual" promovido pela Cia Danças em sua Sede, com a terapeuta Fernanda Leite Ribeiro, especialista no método de Meir Shneider, e saí com uma leveza no olhar, e o desejo de confundir os velhos padrões por onde absorvo o mundo. Reeducar o olhar, de modo que em lugar de esforçar-me por enxergar, permita que o mundo entre por meus olhos. Abrir lacunas no cotidiano para olhar ao longe, e relaxar o padrão de olhar tudo sempre de perto que ficou estabelecido com nossa evolução tecnológica. Desafiar o olho dominante. Aceitar com carinho certas consequências de uma dominância cruzada, em lugar de julgar-me menos capacitada... Olhar as estrelas do ponto de vista de um deus. Permitir-me mergulhar na mais profunda escuridão, o negro mais absoluto, onde de fato se pode descansar os olhos.
No monitor os olhos buscam em vão uma definição de imagem, e são iludidos por pixels em fluxos de luz, oscilam num nada. Dentro de mim flutuam no preto do espaço sideral.
"Volver a sentir profundo como un niño frente a Diós", também ouvindo na vastidão de dentro...
Prospectar a vida imensa. O olhar define e antecede a direção do deslocamento, move-se antes do corpo. O olhar central me diz "o quê", o periférico "onde". Um coisa, outro fluxos. As sincronicidades avisando que o olho que tudo vê é meu mesmo. É de cada um mesmo. Inclusive de todos. Para todos. E inventa a todo instante. Ainda que sem onisciência.

Anabel

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