quinta-feira, julho 30, 2009

Velhas inquietaçãoes a respeito da falta que os ritos de passagem e o ritual fazem, me acometem com força ultimamente.
O "vazio" que tanto se busca preencher com sexo, comida, drogas, e o comportamento consumista na esfera afetiva em geral, relaciona-se de algum modo com a falta da celebração dos eventos que assinalam as transformações da vida, dando-lhes o significado de amadurecimento, de uma marca, da corporificação do próprio evento. Assim também as sensações de pertencimento são um acontecimento raro, muitas vezes mais comum em guetos e tribos do que na própria família. A falta de um sentido de sagrado, de transcendência da rotina, da descartabilidade do dia a dia, como um calendário cujas folhas o vento vai soprando pra longe, nos deixa empobrecidos em nossa humanidade, no significado de ser humano, e participar do mistério da vida, do universo.
Como se não reverberássemos com frequencias mais amplas do que o mero existir.
É preciso reencontrar o espaço/tempo da celebração em nossas vidas. Celebrar o encontro, o adeus, o início, o fim, o nascimento, a puberdade, a maturidade, o prazer de um momento, a morte, o amor, o perdão, a gratidão, a vida, cada dia, a ventura de viver. Rituais dilatam o tempo.
Dilatam o tempo no abraço, no olhar, no contato, num canto, numa dança de comunhão.

2 comentários: