sexta-feira, julho 03, 2009

Obrigada, adeus, ainda

Em menos de uma semana Pina e Michael deixaram a dança deste planeta. Nos deixaram comovidos com suas partidas súbitas, mas transformados por suas atitudes, seus gestos, seus passos, de modos tão distintos, mas tão emblemáticos da contemporaneidade. Ele em busca da Terra do Nunca, megastar perdido em si mesmo, encarnou o POP como ninguém, e consolidou a música multimidiática, revolucionou o videoclipe e a indústria cultural de massa, que cria novos ídolos a serem imitados por curtas temporadas, tentando um dia ser iguais a ele, o astro que nunca traz nada medíocre, sempre no topo - e só. Ela, consolidou a dança-teatro, embrenhada no sentido do gesto cotidiano, do movimento essencial que desnuda o drama de cada pessoa e as relações humanas num mundo fragmentário, repleto de sutilezas, belezas, crueldades, ternuras, solidões, contradições.
Perdemos duas referências fundamentais da arte contemporânea, dois artistas de cujas criações ainda não terminamos de conhecer a reverberação. Ainda temos muito que aprender com eles, ainda que seus corpos estejam dançando em outras dimensões. Nos deixam, mas nos deixam muito.

Querido Michael, Querida Pina, nossa mais profunda gratidão por suas generosas dádivas.
Obrigada, obrigada, obrigada.

Muito agradecida,
Anabel

3 comentários:

  1. Também estou com uma dor no peito, não sei como explicar.
    Abraço.

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