quinta-feira, setembro 04, 2008

No ateliê coreográfico

Hoje troquei um longo olhar com um colega. Inesperado, tranquilo, intenso, profundo. Se ele dançar a intensidade do seu próprio olhar e suas nuances, haverá de ser um imã para os olhos de quem o assistir!
A pesquisa não tem que ser descrita na dança, mas transcendida na criação da coreografia. Chegar ao essencial, ao que não é dizível, à escolha que sintetiza e traz a reverberação, sem ter que carregar a demonstração de todas as experimentações que a antecederam, é um processo que traz uma certa angústia no início. Decidir por um enfoque, e deixar de jogar luz em muitos outros aspectos que investigamos, é um momento difícil. Mas se não for assim, corremos o risco de elaborar apenas uma coleção de movimentos vagos, que ao ser encenados não despertam curiosidade sobre seu devir no espectador, não conversam com ele, nem o contaminam. Bem, isso também pode ser uma escolha.
Mas aquele olhar, aquilo é uma dádiva!

Anabel

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