sábado, abril 19, 2008

Amar se Aprende Amando


O Mundo é Grande

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

(Carlos Drummond de Andrade in “Amar se Aprende Amando”)

Imagem: "Mulher à janela" por Salvador Dali



Esse aprendizado tão longo, do qual não se tira diploma, e sempre vem cheio de desafios, aventuras, desilusões, decisões. Amar num tempo de corações partidos...
É preciso ter coragem pra reconhecer as próprias feridas, acolher nosso "não-belo", nossa sombra, e permitir a morte daquilo que não nutre mais em nós, para dar espaço a novas possibilidades de ser. Assim também podemos acolher o outro com sua sombra, e atravessar muitas mortes e nascimentos juntos, sem a ilusão de que o amor só existe quando está todo mundo sorrindo como num comercial de banco (ou de margarina, como dizia a conselheira Francis). É preciso abrir nossa casa para que o outro entre. E é preciso ter a coragem também de entrar na casa do outro sem medo de nos perder, ou de perder nosso espaço, quando somos gentilmente convidados, e desejamos compartilhar uns tantos momentos de intimidade, cumplicidade, tornar-nos parceiros na vida, parceiros da vida.
Uma vez eu tive a experiência de ser mandada embora, indiretamente, o que foi terrível para o meu orgulho, mas depois compreendi as contradições daquela circunstância, e até pude visitar a casa com freqüência, mas admito que foi uma ferida cuja cicatriz ainda coça de vez em quando. Não é fácil acollher a sombra do orgulho ferido. Lambi e tratei a ferida, ela secou. Não vou fingir que não há nada lá, e ficar sorrindo e dizendo -está tudo óóóótimo! - num cinismo travestido de otimismo, só pra fazer tipo bacana. Mas, sim, já passou. Já passou. Ao final, foi um grande aprendizado sobre humildade e amor, e já perdi tantos aprendizados por orgulho! Falo desse orgulho que nos impede de olhar com outros olhos, os olhos do outro e sentir com o outro, desse que nos faz fincar o pé e não arredar da nossa convicção oca, diferente do orgulho daquilo que nos honra como seres humanos. Soberba. Vaidade. (De repente lembro do deleite do satan Al Pacino em "Advogado do Diabo" dizendo "A vaidade é meu pecado favorito"...) Rigidez. Então foi muito rico aquele momento tão sombrio, porque cresci com aquela dor. E ainda tenho muita vaidade pra trabalhar certamente. Mas não suporto perceber que alguém se envergonha de mim. Isso é demais. Aí, sigo o exemplo do Leão da Montanha.
Amar se aprende amando, como diz o poeta, e começa amando a nós mesmos, claro, senão de onde?

Anabel

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