Bota pra tocar

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Mudando

Estou quase lá, só mais umas coisinhas básicas, e então: lar, doce lar, aqui vamos nós!
Laila tá meio apreensiva, o que é natural. Eu também (o que também é natural)! Mudar dá um friozinho na barriga. Mas tô curtindo o processo desta preparação, que acaba sendo um tempo pra Laila ir se adaptando e apropriando do espaço novo.
Tá sendo bacana pintar os móveis do quarto dela, comprar fogão, geladeira, tirar minhas coisas encaixotadas há 3 anos... ah, e quero deixar registrada minha gratidão pela enorme ajuda do Jam! Pena que o pintor deixou a gente na mão no feriado... E tem a questão dos vizinhos que jogam lixo na esquina, até fora do dia de coleta, é mole? Tipo "lixão"!!!! Já conversei com uma meia dúzia, e faltam mais uns dez pelo menos. Tô pensando em fazer uma "alamedazinha" naquela passagem, pra ver se animo os que ainda dizem que "sempre foi assim, é um costume antigo jogar lixo lá". Quem sabe um ensaio do Núcleo pra inaugurar?
Bem, pra terminar, não vejo a hora de instalar a rede e curtir uma noite de luar! E instalar a rede pra comunicar as boas novas a vcs, e receber alvissareiras notícias dos amigos e do mundo.
E um dia, ainda, quero uma casa no campo.


Bel

sábado, janeiro 05, 2008

Pipocas da vida

“ Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.

Assim acontece com a gente.

As grandes transformações acontecem quando
passamos pelo fogo.

Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida
inteira.

São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa.

Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que
nunca imaginamos: a dor.

Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.

Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!
Sem fogo o sofrimento diminui.
Com isso, a possibilidade da grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!
E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.
Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.
No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva.
Não vão dar alegria para ninguém"

Por Rubem Alves, in “O amor que acende a lua”, Ed. Papirus, 1999

- Minha amiga Kátia enviou esse texto delicioso e filosófico do mestre menino Rubem Alves, e eu não resisti... bloguei! Creio que dispensa meus comentários, e de qualquer forma eles não passariam de reverberações de - Oh! Oh! Ah! É! É.