quinta-feira, dezembro 27, 2007

Admiração

Paulinho Moska

Meus olhos, famintos, não se cansam
de te acariciar
Procuram sempre um novo ângulo
pra te admirar
E sonham mergulhar na sua boca de vulcão
Provar todo o calor que há na sua erupção

Escorregar nos rios claros
das margens dos teus pêlos
E encontrar o ouro escondido
que brilha em seus cabelos
Devorar a fruta que te emprestou o cheiro
E talvez desfrutar de um amor puro e verdadeiro

Esquecer o espaço, o tempo e o viver
Perder a noção do que é ter a noção do perder
Se um dia eu fui alegria ao te conhecer
Agora canto porque sinto a dor de não te ter

Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=4pU77ZCTRVw&eurl=http://letras.terra.com.br/paulinho-moska/videos/wVRTCZ77Up4/


- Depois de assim cantada, admirada, tocada, tanto faz se a primeira parte do corpo que entra em contato com o outro é a ponta do nariz, ou o bico dos seios, ou o pescoço, ou a bunda, ou as costas... já tá tudo entregue. Também numa situação nova ou perigosa, numa aventura, a adrenalina, a testosterona, o estrogênio e as endorfinas dão conta do prelúdio. Uma conversa virtual, às vezes, já deixa muita coisa encaminhada em termos de imaginação e sensações... Mas tem mulher que curte ser tratada como "patroa", aquela que tá lá, porque tá lá mesmo, e, sem nenhuma sedução, ir pra cama, logo ser catada pelos seios, ou levar um tapa na bunda (que em outro momento poderia ser excitante, com jeito), ou apertada na vagina, sem grandes rodeios?
- Me disseram que tem. Eu não conheço uma sequer.
- Eu não gosto. Eu preciso de sedução, admiração, aventura, olho no olho, beijo, cheiro, abraço, qualquer coisa mais carinhosa ou convidativa despertando a pele, ou um beijo roubado, um arroubo apaixonado, enfim¹... algum indicativo de que é bom estarmos juntos antes, durante e depois do sexo; "ser artista no nosso convívio pelo inferno e céu de todo dia" (Cazuza). Talvez isso seja um problema... meu.

¹ As vírgulas podem ser lidas como e/ou.

PS: Paulinho Moska é f...
PS¹: Homunculus Sensorial - se o corpo humano fosse proporcional ao espaço que o cérebro usa para processar suas informações sensoriais.

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