quarta-feira, abril 18, 2007

"Intimidade é fato. Não dá pra fingir" Zélia Duncan


Foto: Frankenstein, 1931 dir. James Whale, com Boris Karloff

Tava pensando no que o Gabriel disse no fim-de-semana, sobre o medo enorme que temos do contato com o outro, e as muitas formas que utilizamos para evitá-lo. Por exemplo? Eu floreio o que escrevo pra mostrar o mínimo possível da minha fragilidade, às vezes até acreditando piamente que estou expondo com a maior objetividade, embora de forma poética, o mais íntimo de mim e... E o que é intimidade? É possível intimidade sem entrega? E como chegar à entrega, sem antes desiludir-se das máscaras e couraças que usamos pra nos proteger? E como desiludir-se delas sem entrar em contato com a dor? E como amar de verdade, sem estar vulnerável à dor? E por que pensar a dor como o fim do mundo e fugir eternamente dela, se um dia queremos ser mulheres e homens adultos, maduros, em paz com nossa própria vida? E por que idolatrar a dor, em vez de reconhecer que há o que aprender com ela, e deixar que dure apenas o suficiente? A capacidade de sentir e suportar a dor nos dá a medida da nossa capacidade de sentir e suportar o prazer!

Não é incrível que tenhamos tanto medo do contato com o outro... Mais fácil racionalizar, florear, trepar, beber, trabalhar, fumar, comer, malhar, fazer cara feia, rir compulsivamente.
Compulsivamente amortecer-nos.


Anabel

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