sexta-feira, dezembro 08, 2006


Numa noite dessas atrás
me peguei sozinho comigo
Foi tanto digo, não digo
Falo, me calo

Enchi o saco comigo
E me embriaguei de mim
Então me coloquei de castigo

Frente a frente no espelho
Olho no olho, cega a visão
Um era imagem
O outro só coração.

Os dois se olharam longamente
E a mente pediu decisão
Decidi: vou sair pra beber
Que eles se olhem até que se vejam ou não.

Porque tudo que eles possam descobrir
Tudo que possa surpreendê-los
Não passam de pelos, pele e pano
Envolvendo um ser humano

Que é certeza e é desengano
Que é flor e é capim
Apenas um ser humano
Que não passa de mim

Luiz Valentim

Um comentário: